A Percepção de que a indústria de bebidas alcoólicas estaria “falindo” ganhou força nas redes nos últimos anos, impulsionada por uma mudança real de comportamento: parte relevante dos jovens passou a consumir menos álcool — e, em muitos casos, a alternar bebidas alcoólicas e não alcoólicas (“zebra striping”) ou aderir a períodos de abstinência como o “sober curious”.
Mas é importante separar sensação de tendência econômica comprovada. Os dados indicam um cenário mais preciso: o mercado tradicional de álcool enfrenta desaceleração em várias categorias, enquanto o segmento de bebidas sem álcool e de baixo teor alcoólico cresce rapidamente, obrigando marcas e distribuidores a se reposicionarem.
1) Jovens estão bebendo menos — e isso aparece nas pesquisas
Uma evidência forte vem de levantamentos de opinião nos EUA: a proporção de adultos com menos de 35 anos que dizem beber álcool caiu de 72% (2001–2003) para 62% (2021–2023), segundo análise citada em reportagem da Time com base em dados do Gallup.
TIME
O próprio Gallup também registrou queda recente na taxa geral de consumo de álcool entre adultos nos EUA, com números em patamares historicamente baixos e aumento da percepção de que beber faz mal à saúde.
E esse fenômeno não é só norte-americano: relatórios e análises de consumo em outros mercados vêm apontando moderação crescente entre consumidores mais jovens e expansão da cultura “sober curious”.
2) “Falência” não é a palavra certa — mas há pressão real sobre o álcool tradicional
O que se observa é um ambiente mais difícil para categorias tradicionais (em especial em alguns segmentos como vinhos e parte do varejo de bebidas), com consumidores mais cautelosos e uma competição maior por atenção e orçamento. Um exemplo: a NielsenIQ registrou um ano de pressão para algumas categorias e, ao mesmo tempo, destacou a ascensão do não alcoólico como resposta clara à busca por moderação.
Ou seja: não é um colapso generalizado, mas sim uma reconfiguração do mercado, com vencedores e perdedores dentro do próprio setor.
3) O “boom” das bebidas sem álcool virou dinheiro grande
O contraponto ao recuo do consumo em parte do público jovem é a explosão do não alcoólico:
A NielsenIQ aponta que o segmento de bebidas não alcoólicas (cerveja, vinho e destilados “zero”) se tornou um movimento de escala, com crescimento robusto e vendas relevantes em canais de varejo.
Em análises de mercado, a categoria aparece como um vetor de crescimento e “mainstream”, deixando de ser algo restrito a “Dry January”.
Projeções da IWSR indicam crescimento consistente de no/low nos próximos anos, acima do crescimento previsto para o total de bebidas alcoólicas.
Na prática, isso cria um novo comportamento: pessoas que não necessariamente deixaram o álcool, mas reduziram, alternaram ou mudaram de ocasião (ex.: treino, trabalho no dia seguinte, direção, saúde).
4) O debate tem nuance: há sinais de “reengajamento” da Gen Z em alguns mercados
Um ponto importante para evitar exageros: a própria IWSR publicou análises indicando que, após baixas em determinados períodos, existe evidência de retomada de consumo entre parte dos jovens em idade legal para beber em alguns mercados — questionando a leitura de que a Gen Z “abandonou” o álcool por completo.
Isso reforça a conclusão mais sólida: não é o fim do álcool — é o fim do modelo “um tamanho serve para todos”. O consumo muda de forma, de ocasião e de narrativa.
5) Por que a nova geração está mudando hábitos
As explicações mais recorrentes nas análises de mercado e comportamento incluem:
- Saúde e bem-estar (físico e mental) e maior aversão a ressaca e perda de controle
- Pressão econômica e escolhas mais racionais de gasto, priorizando “qualidade > quantidade”
- Normalização do “sem álcool” em eventos sociais, viagens e vida urbana
- Oferta melhor de produtos zero/low (principalmente cervejas) e marketing focado em estilo de vida
Conclusão: a indústria não está morrendo — está sendo obrigada a mudar
Se a pergunta é “a indústria de bebidas está falindo?”, a resposta baseada em dados é: não como setor inteiro. O que está acontecendo é mais estratégico:
- o álcool tradicional perde tração em parte do público jovem,
- o não alcoólico cresce rápido e vira prioridade,
- e marcas que não se adaptarem tendem a perder relevância.
Se você quiser, eu adapto este artigo para o formato do seu site (BSB Post/DF Ideal) com: título clickbait, intertítulos mais curtos, parágrafos mais “instagramáveis” e um bloco final de “o que esperar em 2026”.

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