O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos confirmou, em 4 de agosto, o primeiro caso humano em território norte-americano de infecção causada pela mosca parasita New World screwworm (Cochliomyia hominivorax), conhecida como verme-parafuso do Novo Mundo.
A investigação foi conduzida pelo Departamento de Saúde de Maryland em parceria com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Segundo o porta-voz Andrew G. Nixon, o paciente havia retornado de El Salvador antes do diagnóstico. Apesar de relatos apontarem a Guatemala como origem, Nixon afirmou que o risco para a saúde pública nos EUA é “muito baixo”. Até o momento, não há registros da praga em animais dentro do país.
A confirmação reacendeu a preocupação entre autoridades sanitárias e representantes da pecuária. Desde 2023, o parasita tem avançado pelo México após se espalhar pela América Central, o que levou Washington a suspender a importação de gado pelos portos do sul desde novembro de 2024.
Críticas foram feitas à forma como o caso foi comunicado. A veterinária estadual de Dakota do Sul, Beth Thompson, relatou dificuldade em obter informações junto ao CDC: “Descobrimos o caso por outras vias e só depois conseguimos confirmar oficialmente com o CDC.”
O parasita deposita ovos em feridas de animais de sangue quente, e as larvas, ao se desenvolverem, consomem tecidos vivos. Sem tratamento, a infestação pode ser letal para humanos e animais. Embora rara em pessoas, a doença preocupa o setor agropecuário: segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), um surto poderia gerar perdas de até US$ 1,8 bilhão no Texas, considerando mortes de rebanho, custos veterinários e mão de obra.
A indústria da carne bovina já enfrenta dificuldades diante do menor rebanho em sete décadas e teme que a chegada do verme-parafuso agrave ainda mais a situação.
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